Cai do Telhado

Feito gota de chuva!

Monday, December 14, 2009

Oh, can't you see what love has done?


Casamento.
São tantas as histórias, paródias, bichos-de-sete-cabeças, temores, frustrações, aquele-caso-da-tia-que-se-separou-e-sofreu, que casar pode parecer a pior idéia que um casal poderia ter.
A expectativa negativista vem de uma conjunção de fatores, entre os quais se encontra a ingenuidade daquele que se apaixona. Essa imagem do "ser enamorado" é algo bastante peculiar: olhos brilhantes, sorriso bobo, reticências com suspiro ao lembrar-se do ser amado. Alguém com essas características não são dignos de fiabilidade perante os outros, por dar a impressão de que se sugerissem um salto do décimo andar em nome do amor, esse alguém o faria em um piscar de olhos.
Entre lendas, imagens, disse-me-disse, "vocês não se conhecem o suficiente"e "vocês estão loucos?" fico observando o quanto as pessoas podem interferir sem conhecimento de causa, com pré-conceitos, com seus discursos racionais em mãos subdivididos em seis tópicos lógicos e argumentados, com a finalidade de projetar suas frustrações e medos pessoais em um futuro que nem é o deles!
Criticar é sempre fácil, apontar o dedo e discorrer sobre razões para não se fazer algo é bem simples, afinal, existe ângulo e argumento que suporte tudo nessa vida, até as maiores atrocidades...difícil mesmo é apoiar, lutar junto, sentir e acreditar em uma felicidade que vai além da sua, mas que poderia ser sua também se existisse a vontade sincera de fazer parte.
Entre todas as conspirações e obstáculos vou consolidando o que sinto, sem deixar de lado essa paz e alegria que vêm com a idéia de partilhar minha vida com o melhor ser humano que já conheci. É, porque casar, na lenda, pode não ser bom para alguns. Para mim, no entanto, significa que tenho muita sorte por ter encontrado em alguém todo amor que me faltava.

Oh can't you see what love has done?
What it's done to me?

Love makes strange enemies
Makes love where love may please
Soul and its striptease
Hate brought to its knees

The sky over our head
We can reach it from our bed
You let me in your heart
And out of my head... head...


Wednesday, December 02, 2009

Não funciona...


Com o advento do orkut, entre outros meios online de contato e autopromoção, a sua vida se submete ao escrutínio alheio, seus olhares e opiniões que podem variar de acordo com o caráter de quem vê.

A velocidade da propagação da informação é algo admirável, mas isso se estende as suas conquistas e decepções pessoais, o que pode fazer com que você se sinta em uma mesa de autópsia diariamente.
O controle dessa exposição é algo contornável, sendo algo volitivo. O problema é que, na conjuntura atual da sociedade, evitar esses canais é uma forma de se isolar. As convenções sociais formalizaram esses meios de comunicação como preferenciais e evitá-los pode te deixar à margem de tudo e todos.
Afinal, como se preservar nessa nova era em que qualquer informação está a um clique do seu mouse?
Sinto falta de quando essa pergunta não existia.

Thursday, August 13, 2009

Saturno!


Começo de uma idéia que surgiu ao analisar o estar das pessoas.
Todos estão sempre em algum lugar, mas note como a satisfação do estar nunca é plena.
Parto dessa premissa e se você chegar para QUALQUER pessoa do mundo perguntando:

"- Se você pudesse estar em lugar diverso, agora, onde você estaria?" - as respostas poderiam variar, mas o estar sempre poderia se dar em outro lugar. Alguns diriam que estavam bem onde estavam, mas que uma passagem de graça para Paris não faria mal. Os parisienses, por sua vez, reclamariam do frio e desejariam o litoral latino. Os entediados pediriam alguma aventura em outras divisas e os apaixonados à distância diriam a latitude e a longitude do destino com precisão.

Como justificar essa inquietude do estar se, no final, tudo é mundo e se, não importa bem onde você esteja ou pra onde você está indo, de alguma maneira, ao chegar lá, você vai querer estar em outro lugar?

Penso que, talvez, tentemos acreditar que a insatisfação subjetiva poderia ser atenuada com a supressão da suposta insatisfação espacial. Uma das coisas que deve demonstrar alguma evolução no homo sapiens sapiens - e deve se enquadrar em algum conceito de "felicidade" - é o saber estar onde se está, com o que tem, com quem tem e conseguir estar pleno exatamente nesses moldes, precisamente nesse tempo-espaço.

Enquanto permaneço no modo neanderthalis, sigo olhando pras estrelas. E não me perguntem onde gostaria de estar.


"Que minha solidão me sirva de companhia.
que eu tenha a coragem de me enfrentar.
que eu saiba ficar com o nada
e mesmo assim
me sentir
como se estivesse plena de tudo..."

Clarice Lispector
(de novo!)

Wednesday, April 22, 2009

O pecado de estar só



Ser solteiro é blasfêmia em terceiro grau na escala dos padrões morais da sociedade.
Partindo dessa premissa, estar em um relacionamento tem um conceito bastante estranho pra mim. Aparentemente, estar comprometido com alguém é uma escolha comparada a coisas como...decidir se você quer ter o cabelo curto ou longo. Falam como se fosse algo ao nosso alcance, algo opcional e que você não escolheu por incompetência sua.
A pressão é indireta e casual, mas sentida de forma gradual e diária:

- Querida, porque você não está namorando?

Meu ímpeto é responder prontamente:

- Ah, porque não tinha pensando ainda nessa possibilidade...mas, só porque você falou nisso, agora vou providenciar! Pode deixar!...Tem algum telefone para encomendar sob medida?

Quantos relacionamentos existem para escapar da pressão social do pecado implícito do estar só?
Ficar sozinho não é fácil, mas não vejo como algo opcional se você espera algo verdadeiro para a vida. É, para mim, pressuposto para encontrar alguém que vá valer meus dias.

E se o oceano incendiar
E se cair neve no sertão
E se o urubu cocorocar
E se o Botafogo for campeão

E se o meu dinheiro não faltar
E se o delegado for gentil
E se tiver bife no jantar
E se o carnaval cair em abril
E se o telefone funcionar

E se o pantanal virar pirão

E se o Pão-de-Açúcar desmanchar
E se tiver sopa pro peão
E se o oceano incendiar
E se o Arapiraca for campeão
E se à meia-noite o sol raiar
E se o meu país for um jardim
E se eu convidá-la para dançar

E se ela ficar assim, assim

E se eu lhe entregar meu coração
E meu coração for um quindim
E se o meu amor gostar então
De mim


(Chico Buarque - E se...)

Monday, March 16, 2009

Em desalinho


Mesmo quando tudo pede
Um pouco mais de calma
Até quando o corpo pede
Um pouco mais de alma
A vida não pára...

Enquanto o tempo
Acelera e pede pressa
Eu me recuso faço hora
Vou na valsa
A vida é tão rara...

Enquanto todo mundo
Espera a cura do mal
E a loucura finge
Que isso tudo é normal
Eu finjo ter paciência...

Monday, December 22, 2008

Guess what? That's me!

"Each relationship, when it ends, really damages me. I haven't fully recovered. That's why I'm very careful with getting involved, because...It hurts too much!! Even getting laid! I actually don't do that...I will miss of the person the most mundane things. Like I'm obsessed with little things. Maybe I'm crazy, but...after you've been screwed over a few times...You... you forget about all your delusional ideas, and you just take what comes into your life."

-I was fine. Until I read your fucking book! It stirred shit out from you, it reminded me how...genuinely romantic I was, how I had so much hope in things and...now it's like...
I don't believe in anything that relates to love, I don't feel things for people anymore
. In a way...I put all my romanticism into that one night and I was never able to feel all this again. Like...somehow this night took things away from me and...I expressed them to you and you took them with you! It made me feel cold, like if love wasn't for me!

(...)


-You know what? Reality and love are almost contradictory for me. It's funny...Every single of my ex-es...they're now married! Man go out with me, we break up, and then they get married! And later they call me to thank me for teaching them what love is, and...that I taught them to care and respect women!
-I think I'm one of those guys.
-You know, I want to kill them! Why didn't they ask me to marry them? I would have said "No", but at least they could have asked!!! But it's my fault, I know that it's my fault, because...I never felt it was the right man. Never! But what does it mean the right man? The love of your life? The concept is absurd, the idea that we can only be complete with another person is...EVIL!
Right?"

in "Before Sunset"

Monday, December 08, 2008




O que será que será
Que dá dentro da gente e que não devia
Que desacata a gente, que é revelia
Que é feito uma aguardente que não sacia
Que é feito estar doente de uma folia
Que nem dez mandamentos vão conciliar
Nem todos os ungüentos vão aliviar
Nem todos os quebrantos, toda alquimia
Que nem todos os santos, será que será
O que não tem descanso, nem nunca terá
O que não tem cansaço, nem nunca terá
O que não tem limite

O que será que me dá
Que me queima por dentro, será que me dá
Que me perturba o sono, será que me dá
Que todos os tremores me vêm agitar
Que todos os ardores me vêm atiçar
Que todos os suores me vêm encharcar
Que todos os meus nervos estão a rogar
Que todos os meus órgãos estão a clamar
E uma aflição medonha me faz implorar
O que não tem vergonha, nem nunca terá
O que não tem governo, nem nunca terá
O que não tem juízo

Monday, December 01, 2008

Em preto e branco

Sentindo falta de não sei o quê; do inominado, do anônimo, do inanimado.
Até aonde sonhar é uma fuga da realidade, sendo covardia?
Anestésico da vida, atenuante das dores, sentir no irreal o seu desejo...

Afinal, se são os dissabores que nos remetem aos devaneios do sonhar, como chamar de covarde aquele que segue seus instintos?
Entre erros, vítimas e consequências, rendo-me à inércia do existir um tanto quanto cinza.

E que venham os sonhos para colorir.

"Te vejo errando e isso não é pecado;
Exceto quando faz a outra pessoa sangrar."

Sunday, November 23, 2008

Simple as it is.



Acordei hoje sem pensar muito nas dores do mundo ou nas minhas.
Lembrei de uma criança que saiu ontem do mar, tossindo e com os olhos vermelhos do sal, ao lado do pai. Ele olhou pra mim me confundindo com sua mãe. Um olhar de carência em busca de cuidado e compreensão que me deixou emocionada. Seu pai riu e o retirou do transe em voz alta "Não, meu amor, não é a sua mãe, deixe a moça"...
Se a vida faz sentido em momentos assim, em um sorriso ou em um olhar, não é tão difícil encontrar motivos para existir.

Da Felicidade

Quantas vezes a gente, em busca de aventura,
Procede tal e qual o avozinho infeliz:

Em vão, por toda parte, os óculos procura,

Tendo-os na ponta do nariz!


Mario Quintana

Monday, November 03, 2008



"There is a pleasure in the pathless woods;
There is a rapture on the lonely shore;
There is society, where none intrudes,

By the deep sea, and music in its roar;

I love not man the less, but Nature more...
"


Lord Byron

Sunday, September 28, 2008

Woody Allen




"To love is to suffer. To avoid suffering, one must not love. But, then one suffers from not loving. Therefore, to love is to suffer, not to love is to suffer, to suffer is to suffer. To be happy is to love, to be happy, then, is to suffer, but suffering makes one unhappy, therefore, to be unhappy one must love, or love to suffer, or suffer from too much happiness — I hope you're getting this down."

"E se tudo for uma ilusão e nada existe? Nesse caso, definitivamente eu paguei caro demais pelo meu carpete."

"Não é só Deus que não existe, tente chamar o encanador nos finais de semana."

"I think crime pays. The hours are good, you meet a lot of interesting people, you travel a lot."

"E se nada existe e estivermos todos no sonho de alguém? Ou o que é pior, e se somente aquele cara gordo na terceira fileira existe?"

"O interessante é que, de acordo com os astrônomos modernos, o espaço é limitado. Esta conclusão é muito reconfortante, principalmente para as pessoas que nunca lembram onde deixaram suas coisas."


Allen: That's quite a lovely Jackson Pollock, isn't it?
Woman: Yes, it is.
Allen: What does it say to you?
Woman: It restates the negativeness of the universe. The hideous lonely emptiness of existence. Nothingness. The predicament of man forced to live in a barren, godless eternity like a tiny flame flickering in an immense void with nothing but waste, horror, and degradation, forming a useless, bleak straitjacket in a black, absurd cosmos.
Allen: What are you doing Saturday night?
Woman: Committing suicide.
Allen: What about Friday night?

"O homem explora o homem e por vezes é o contrário."

"Meu pai trabalhou na mesma empresa durante doze anos. Eles o demitiram e o substituíram por uma maquininha deste tamanho, que faz tudo o que o meu pai fazia, só que muito melhor. O deprimente é que minha mãe também comprou uma igual".

"The man who said "I'd rather be lucky than good" saw deeply into life. People are afraid to face how great a part of life is dependent on luck. It's scary to think so much is out of one's control. There are moments in a match when the ball hits the top of the net and for a split second it can either go forward or fall back. With a little luck it goes forward and you win. Or maybe it doesn't and you lose."

Monday, September 15, 2008

Sinestesia

Alguma mensagem subliminar do que sinto:



http://br.youtube.com/watch?v=9jxtiRjNc1o



Saturday, September 06, 2008

True



"Viver dentro da verdade, não mentir para si mesmo nem para os outros, só seria possível se vivêssemos sem público. Havendo uma única testemunha de nossos atos, adaptamo-nos de um jeito ou de outro aos olhos que nos observam, e nada mais do que fazemos é verdadeiro."


A insustentável leveza do ser - Milan Kundera

Friday, August 29, 2008

Um céu de estrelas feitas com caneta bic no papel de pão

**********************
Como procuramos preencher os vazios que nos preenchem é o que dirá até aonde vai a nossa felicidade. Afinal, tudo sempre girou em torno dos momentos felizes que temos, daquelas porções de ilusões. Aprofundando mais, chegamos à singela conclusão de que a vida gira em torno do prazer.
Pare bem e reflita. Tudo o que é bom nos dá prazer. Das coisas mais simples, uma boa risada, até às grandes paixões.
Viver em busca dessas reações químicas, derivadas de um momento de euforia, nos impulsiona a levantar todos os dias e encarar a realidade que nos cerca.
A esperança é "promessa eternamente suspensa" porque é ela que nos dá a motivação de existir através da expectativa por mais retalhos de sonhos realizados.

(Inspirado em minha última conversa-de-boteco, cheia de filosofia-de-boteco)


Sunday, July 27, 2008

Vícios trí-bacanas, tchê.


Algo inspirado em um apaixonante tamboreno sulista (instrumento de cordas cuja melodia é audível para alguns somente):

Não há nada como uma tira de plástico de bolhas. Uma válvula de escape, um verdadeiro passatempo inusitado. Inusitado já que não criaram o plástico de bolha com o fim que ele acabou destinado.
Creio eu existirem aos montes os denominados "paranóicos do plástico de bolha"...que chegam nas lojas pedindo coisas frágeis só para ganharem o plástico junto. Chegam a deixar o vaso em cima do balcão e sairem sorrindo e estourando bolhas.
Afinal, ninguém sabe aonde é vendida tal especiaria. Nunca vi uma loja vendendo plástico de bolhas por metro...sua venda deve ser proibida no perímetro urbano em alguma cláusula secreta em prol da sanidade.
Enfim, imaginem a cena de um grande rolo de plástico de bolhas: As pessoas ficariam horas sentadas até a última bolha, abandonando suas famílias e seus trabalhos, ou se jogariam, rolando em cima, ensandecidas.

Achei um simulador para aqueles que precisam se consolar quando a diversão acaba. (0 som é o melhor)

Plástico de bolhas

Wednesday, June 18, 2008

Daqui pra lá, de lá pra cá.

"O homem é um animal que não deu certo. A verdadeira evolução deve estar se processando em outra espécie, a nossa foi um começo falso que esqueceram de cancelar. Como o hipopótamo. Fizeram uma experiência, foi isso. Deixa ver: um bípede, com um dedão opositor, nariz aqui, boca ali, um cérebro dedutivo, autoconsciência, imaginação para anedotas e um furor no corpo...não, não. Não vai dar certo. Corta esse. Mas não cortaram! O homem permanece e se procria, iludido de que a criação é com ele, que ele é o fim e a razão em vez de um equívoco do processo. Não podia dar certo.
O processo esqueceu de nós. Vai ver a verdadeira evolução já veio e já foi, alguma outra raça já está com o Universo. Sobraram na Terra as tentativas descartadas. O hipopótamo, o homem, a tartaruga, os ciprestes, o rebutalho da grande experiência. Mas só o homem com a danação da autoconsciência. Foi a grande anedota que pregaram no homem, a de lhe darem cosmogonia (o hipopótamo não tem uma cosmogonia) e no fim lhe negarem o Universo. Aparelharam o homem para compreender a evolução e a razão de todas as coisas e ele se vê condenado a compreender a si mesmo, uma péssima troca."

(Luís Fernando Veríssimo - Terrível)

Era um pacato cidadão sem documento; não tinha nome, profissão, não tinha tempo.
Mas certo dia deu-se um caso e ele embarcou num disco e foi levado pra bem longe do asterisco em que vivemos. Ele partiu e não voltou; e não voltou porque não quis.
Quero dizer, por lá ficou já que por lá se é mais feliz.
E um espaçograma ele enviou pra quem quisesse compreender; mas ninguém nunca decifrou o que ele mandou dizer: "Terra, mar e atenção; o futuro é hoje e cabe na palma da mão"
Para azar de quem não sabe e não crê que se pode sempre a sorte escolher; e enterrar qualquer estrela no chão.
"Terra, mar e atenção; fica a morte por medida, fica a vida por prisão"

(Zeca Baleiro - Fagner)

Thursday, June 05, 2008

See you tomorrow

Friday, May 30, 2008

Ode a um fim inevitável...

O quão estúpido somos - ou gostamos de ser;



Pq a vida não vem com um manual de instrução...e não pense que ela deveria. Ela não vem pq ela é simplesmente, ridiculamente, clara e óbvia...nós é que não somos inteligentes o suficiente para entendermos. E criamos e inventamos e agimos como se tudo fosse uma grande interrogação, quando, no fundo, a resposta sempre existiu diante dos nossos olhos tão voluntariamente cegos.

Manipulamos inconscientemente uma realidade que justificamos como destino, acaso, sorte. Nossos infortúnios não passam de uma consequência de uma escolha dita involuntária, mascarada com boas intenções e com uma ingenuidade premeditada. É um crime que cometemos contra nós mesmos e procuramos justificar passando a culpa para a vida. Afinal de contas, nada mais fácil do que convencer a si mesmo de sua inocência, sabemos a quais argumentos somos suscetíveis, vulneráveis. Somos incapazes de admitirmos que os erros são nossos e não de alguma força superior invisível.

Não nego que Chico tinha certa razão quando falava da roda-viva da vida. Mas acredito que a influência do acaso é bem inferior ao que é dito por aí. Abusamos da justificativa para nos isentarmos do peso da culpa, do peso de assumirmos que somos, simplesmente, burros e que a consequência era previsível, porém preferimos errar... talvez para dinamizar o estático, talvez para viver o presente, mas conscientemente.

Poupemos a sorte para a mega-sena que não jogamos e sejamos mais fortes para assumirmos a autoria das cagadas da vida. Afinal de contas, seremos mais serenos e mais humildes, mais honestos e aprenderemos realmente com os percalços no caminho.


Monday, May 12, 2008

Não me diga nada que eu não saiba...

Segunda-feira é sempre um dia tão marcante. O dia oficial do resmungo matinal, o dia em que vc pede por uma catástrofe natural em prol de um feriado inusitado. Tola ilusão.


E tá, não posso deixar de falar de uma descoberta que fiz, nos últimos tempos: ...a humanidade é gay. É, essa balela de hetero, essas histórias e contos-de-fada com amores entre homens e mulheres está completamente démodé. A humanidade decidiu que quer o amor entre iguais, nada de conflitos hormonais e diferenças corporais.

Não, preconceito algum com os seres adeptos. Só não estou mais compreendendo a humanidade versus a modernidade; não que a homossexualidade não seja algo tão antigo quanto os homens da caverna e os dinossauros, mas a liberdade sexual dos nossos tempos criou uma declaração em massa de gays se assumindo como tal. O que choca não é a auto-afirmação, afinal, nada mais justo do que ter seu espaço perante a uma sociedade outrora hipócrita e que se recusava a admitir a existência de algo latente,...o que impressiona, mesmo, é a quantidade!

Ok, estou me sentindo minoria. Logo, perdoem-me os queridos e queridas amigos e amigas homossexuais, mas a passeata de orgulho hetero será dia 10 de dezembro, todo mundo de preto-e-branco, está estimada a presença de 25 pessoas no total, com risco de apedrejamento.


bla!...vou me converter a alguma religião aonde todas as coisas carnais são proibidas. Pretendo atingir um outro patamar espiritual.

E que venha o nirvana.

Saturday, April 19, 2008

Trinca, trinômio, tríade,...

Pé em Deus
e
Fé na tábua.
(Cantem direito, caralho!)



Multidões são coisas bastante peculiares. A heterocomposição de uma multidão em um show gratuito pode te dar sensações diferenciadas a cada metro explorado.
Nos primeiros passos, policiais com cachorros grandes e simpáticos. Vc se pergunta se ainda está com o cheiro daquele bife do jantar, com medo de atrair o singelo bichano e suas fungadas instintivas e ser confundida com uma traficante de drogas de alta periculosidade.
Em seguida, vc é revistada gentilmente e, se eles possuem detectores, ótimo!...se não...PUTZ! Com as mulheres, se vc pegar uma daquelas Tiazinhas-machão que enfiam a mão com toda a delicadeza inerente a um rinoceronte em fúria, vc sairá meio desconcertada, com exclamações do tipo "caráleo, fui abusada sexualmente!"
Ao adentrar o local do show, vc certamente se deparará, mais cedo ou mais tarde, com um grupo de pregos. Aqueles secos que estão parados estrategicamente, prontos para dar o bote ou soltar uma daquelas cantadas que te dão náuseas. Vc passa, entre o grupo, por falta de opção (a posição é realmente estratégica) e os seres, desprovidos de qualquer tato: "oi, princesa! (....porraaaaa...princesa é muito decadente) - vc finge que não escutou, olha para o alto, dá uma de autista e o cara, famoso "porre da meia-noite", insiste em mais uma atitude desesperada "powww, gatinha, vem aqui", puxando seu braço, para não dar margem a uma fuga alternativa. Nesse momento, vc se pergunta quem é o energúmeno que está tocando sua pele. Pela cabeça, várias opções se passam como "vá tomar no $@#%$#, seu acéfalo!"...em dias de TPM, essa frase flui naturalmente. Em momentos mais diplomáticos, vc tira seu braço das mãos do inimigo de forma um pouco mais brusca, sorri amarelo (prêmio de consolação para o babaca) e acelera na luta para avançar entre pés e corpos do grupo de galanteadores natos, em busca da tão almejada liberdade.
Meia hora depois dessa batalha, já transpirando com o calor humano caracterizador de multidões, vc procura enxergar o cantor/banda que, supostamente, está lá. Supostamente pq, afinal de contas, vc não consegue ver. Um vulto no meio do palco, é isso que sua visão míope consegue visualizar. O som, abafado pelo blablabla de pessoas que nem gostam da banda e só estão lá pq é de graça e querem socializar.
Nesse meio tempo, sua paciência se esgota, juntamente com a animação inicial que foi por água abaixo. Chega o momento de entrar em contato com os conhecidos (nesses eventos, todo mundo
diz que vai e todo mundo diz que vai te ligar qdo chegar lá). Vc retira o celular, se perguntando se ele ainda está na bolsa e, se vc não teve a má sorte, começa a tarefa herculéia de se comunicar nesse turbilhão. Liga uma vez, o ser atende, vc grita "VC TÁ AONDE?" e, desesperadamente, escuta um murmúrio:
"- Tôôôôôô do lado esquerdo do palco"
E vc tenta traduzir e, grita:
"- AONDEEEEE???"
E o outro, sem entender bulhufas tb:
"- vc tá aondeeee???"
Vc desiste de entender, desliga sem dizer tchau (seus créditos já foram pela metade) jura que ouviu algo como "lado esquerdo" e começa a procurar. Vc luta por um espaço, levanta a cabeça entre as pessoas e entende, finalmente, que o lado esquerdo possui duas mil pessoas.
Desiste de procurar e, quando o show acaba (ou vc - o que vier primeiro), encontra todo mundo que procurou o show inteiro e entende que o melhor mesmo é só chegar no final desses eventos.


Thursday, April 03, 2008

Reticências

2008 chegou me consumindo por completo.

Em um espirro solto esse texto:

Comecei a trabalhar e crescer tem me parecido assustador. Um diploma acenando ao longe e as responsabilidades que só aumentam. Como as pessoas não falecem de úlcera aos 40?
A minha maior dúvida no momento é...quando o mercado de trabalho pára de consumir nossas energias e nos deixa livre para respirar e viver?
A aposentadoria chega quando vc sente dores nas juntas e não aguenta mais grandes emoções. Beirando o caixão, a vida recomeça cheia de oportunidades mas as ferramentas para o pleno usufruto foram levadas com o tempo.
Capitalismo selvagem, vida, louca vida, vida breve. Todos os clichês e frases famosas começam a fazer sentido.

(...)

...e deixa o tic-tac me levar.


Ouça meu amigo
Deixe esse regaço
Brinque com o meu fogo
Venha se queimar
Faça como eu digo
Faça como eu faço
Aja duas vezes antes de pensar
Corro atrás do tempo
Vim de não sei onde
Devagar é que
Não se vai ao longe
Eu semeio o vento
Na minha cidade
Vou pra rua e bebo a tempestade.

Thursday, November 22, 2007

Le temps passe plus vite que moi...


Dizem que disseram os mais sábios: Sabedoria é ter o plano A, o B caso o A não ocorra e um C ou D, caso nenhum outro funcione. Passamos a vida inteira mensurando o que será que será, as possibilidades de tudo dar errado no final. E vivemos com esse medo do amanhã, deixando de lado o que o agora nos reserva. Aquele clichê do Carpe Diem, tão batido de boca em boca, não passa, na maioria das vezes, do plano ideal.
Quando não é o passado que nos atormenta, é o futuro.

Pq viver no presente é assim, tão difícil?

...

Monday, November 05, 2007

Last waltz...


"I figured out so many things travelling, I learned about life, I learned about myself, I heard secrets and answers to questions I've had before...but there's just one mistery I could never solve...why my heart couldn't let go of you"


(O ilusionista)


Entre filmes mil nessas férias tediosas, paro pra pensar nas coisas que não consegui deixar no passado. Até onde vai o apego à lembranças e momentos que não voltam mais...?

É tão difícil assim entender que o futuro, que depende inteiramente de você, será melhor do que o que passou pelo simples fato de que vc tem mais experiência de vida e a cabeça mais aberta pra o mundo..?

Certas coisas que carregamos na pele exigem um pouco mais do que o tempo para nos deixar...um pouco mais de vontade, um pouco mais de sorte, talvez.

Friday, October 19, 2007

Vícios de linguagem...


Eu subo pra cima, você desce pra baixo, eu entro pra dentro e você sai pra fora.
Atingindo a epifania, me pergunto a mim mesma: viciados em palavras, em fumaças, em notas musicais, em bebidas, em jogos, em números, em substâncias... mas... em erros?!
Acredito que se diagnostica o vício em errar quando ele foi previsto, pensado e repensado e, ainda assim, realizado. É como se o fazer certo não despertasse tantas emoções, nem dinamizasse o estático. Além do que, o viciado em erros, não se reconhece sem tropeçar ou fazer buracos...é quase como se perdesse sua identidade. Ou como se não se reconhecesse como humano..afinal já caracterizamos e associamos o erro ao fato de ser e existir..logo, não faria parte.
Como nada que provoca dependência é bem visto, escondo-me com minhas barras de chocolate, minhas notas musicais favoritas e minha coleção de erros. E que joguem a primeira pedra...

Sunday, October 14, 2007

Poesia em imagens


"Et tu étais admise bien sur
Tu as quitté Boston pour aménager à Paris
Un petit appartement dans la rue de Faubourg Saint-Denis
Je t'ai montré notre quartier
Mes bars, mon école,
Je t'ai présenté à mes amis, à mes parents
J'ai écouté les textes que tu répétais
Tes chantes, tes espoirs, tes désirs, ta musique
J'ai écouté la mienne
Mon italien, mon allemand, mes strippes de russe
Je t'ai donné un walkman
Tu m'as offert un oreiller

Et un jour,
Tu m'as embrassé
Le temps passait
Le temps filait
Et tout parait si facile
Si simple, libre
Si nouveau et si unique
On allait au cinéma
On allait danser
Faire des courses
On riait, tu pleurais
On nageait, on fumait
On se rasait,
De temps à autre
Tu criais
Sans aucune raison
Ou avec raison parfois
Oui, avec raison parfois
Je t’accompagnais au conservatoire
Je révisais mes examens
J'écoutais tes exercices de chant
Tes espoirs, tes désirs,
Ta musique
J'écoutais la mienne
Nous étions proches
Si proches
Toujours plus proches
Nous allions au cinéma
Nous allions nager
Rions ensemble
Tu criais,
Avec une raison parfois

Et parfois sans
Le temps passait
Le temps filait
Je t’accompagnais au conservatoire
Je révisais mes examens
Je m'écoutais parler italien, allemand, russe, français

Je révisais mes examens
Tu criais
Parfois avec raison
Le temps passait
Sans raison
Tu criais
Sans raison
Je révisais mes examens,
Mes examens,
Mes examens,
Mes examens.
Le temps passait
Tu criais
Tu criais
Tu criais
J’allais au cinéma.. "

(True - Paris, Je t'aime)

http://www.youtube.com/watch?v=ElEbcBHCrwA